Como tratar a Síndrome do Intestino Irritável com Microfisioterapia e TME

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Nos últimos anos, tem sido cada vez mais comum ouvir relatos de pessoas que convivem diariamente com desconfortos intestinais. Sensação de estufamento, alterações no funcionamento do intestino e dores abdominais fazem parte da rotina de quem vive com a Síndrome do Intestino Irritável (SII), surgindo de forma repentina e desaparecendo da mesma maneira.

Esse aumento de diagnósticos e de queixas relacionadas ao intestino não impacta apenas a saúde física, mas também a qualidade de vida, a rotina social, o trabalho e o bem-estar emocional. Muitas pessoas passam anos tentando entender o que acontece com o próprio corpo, alternando períodos de melhora e piora, muitas vezes sem respostas claras.

A ideia central que precisa ser compreendida é que os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável vão além do intestino. O corpo como um todo participa desse processo, e é justamente por isso que abordagens integrativas, como a Microfisioterapia e a Terapia Manual Evolutiva (TME), têm ganhado espaço no cuidado dessas pessoas.

O que caracteriza a Síndrome do Intestino Irritável no dia a dia

No cotidiano, a Síndrome do Intestino Irritável costuma se manifestar de forma variável e imprevisível. Há dias em que o intestino parece funcionar bem e outros em que qualquer mudança na rotina já é suficiente para desencadear desconforto.

Muitas pessoas descrevem a sensação de nunca saber exatamente como o corpo vai reagir. Um alimento, um compromisso importante, uma viagem ou até mesmo um momento de maior tensão emocional podem interferir no funcionamento intestinal.

Sem entrar em explicações técnicas, é importante compreender que a SII não segue um padrão fixo. Ela se apresenta de formas diferentes em cada pessoa e pode mudar ao longo do tempo, o que exige um olhar mais amplo e menos focado apenas no sintoma isolado.

Sintomas mais comuns relatados por quem convive com a SII

Os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável fazem parte do relato diário de muitas pessoas. Entre os mais citados, estão:

  • Dor ou desconforto abdominal recorrente
  • Sensação de inchaço ou barriga estufada
  • Gases em excesso
  • Diarreia frequente ou episódios de constipação
  • Alternância entre diarreia e intestino preso
  • Sensação de evacuação incompleta
  • Desconforto após as refeições

Esses sintomas podem variar em intensidade e frequência, o que muitas vezes gera frustração e insegurança.

Sintomas que vão além do trato digestivo

Manifestações físicas associadas

Embora o intestino seja o principal local de desconforto, muitas pessoas com SII relatam que o corpo manifesta sinais em outros lugares. Sensação de cansaço constante, tensão muscular, dores difusas e uma percepção geral de desconforto corporal fazem parte do quadro de quem convive com a síndrome.

Essas manifestações mostram que o corpo funciona de forma integrada. Quando uma área está em desequilíbrio, outras podem sentir os reflexos, mesmo que não pareça haver uma relação direta.

Mulher com na cabeça e dor por causa dos sintomas da Síndrome do intestino irritável

A relação entre emoções, estresse e intestino

O intestino e o nervo vago: a relação fundamental para o equilíbrio do organismo

Quando falamos sobre a Síndrome do Intestino Irritável de forma mais científica, é impossível não abordar o papel do nervo vago, uma das principais vias de comunicação entre o intestino e o cérebro. Essa relação ajuda a explicar por que os sintomas da SII não se limitam apenas ao trato digestivo e por que fatores emocionais, estresse e ritmo de vida influenciam tanto o funcionamento intestinal.

O que é o nervo vago

O nervo vago é o principal nervo do sistema nervoso parassimpático, responsável pelos estados de repouso, digestão, recuperação e regeneração do organismo. Ele se origina no tronco encefálico e percorre diversas regiões do corpo, inervando órgãos vitais como coração, pulmões e, de forma muito importante, grande parte do trato gastrointestinal.

Cerca de 70 a 80% das fibras do nervo vago são aferentes, ou seja, levam informações do corpo para o cérebro. Isso significa que o intestino envia constantemente sinais sobre seu estado interno, influenciando a percepção corporal, o humor, a resposta ao estresse e a regulação fisiológica.

A conexão entre intestino e nervo vago

O intestino é ricamente inervado e abriga o chamado sistema nervoso entérico, frequentemente descrito como o “segundo cérebro”. Esse sistema se comunica de forma contínua com o sistema nervoso central, e o nervo vago é uma das principais pontes dessa comunicação.

Por meio do nervo vago, o intestino informa ao cérebro sobre:

  • Grau de distensão intestinal
  • Movimento e ritmo do trânsito intestinal
  • Presença de inflamação ou irritação
  • Estado geral do ambiente intestinal

Ao mesmo tempo, o cérebro influencia o intestino modulando a motilidade e secreção, a sensibilidade visceral e a resposta imunológica local. Essa comunicação é bidirecional e dinâmica.

O nervo vago e a modulação da sensibilidade intestinal

Na Síndrome do Intestino Irritável, estudos apontam uma alteração na comunicação intestino–cérebro, especialmente na forma como os estímulos viscerais são percebidos. O nervo vago participa diretamente da modulação dessa sensibilidade.

Quando há redução do tônus vagal — situação comum em estados de estresse crônico, sobrecarga emocional e falta de recuperação — o organismo tende a permanecer em estado de alerta. Nesse contexto:

  • A percepção da dor visceral pode se tornar mais intensa
  • O intestino reage de forma mais sensível a estímulos normais
  • O equilíbrio entre contração e relaxamento intestinal se altera

Isso ajuda a compreender por que sintomas como dor, urgência evacuatória ou desconforto surgem mesmo sem alterações estruturais visíveis.

Influência do nervo vago na inflamação e no sistema imune intestinal

Outro aspecto relevante da atuação do nervo vago é seu papel na regulação da resposta inflamatória. A ativação adequada do nervo vago está associada a um mecanismo conhecido como via colinérgica anti-inflamatória, que ajuda a modular a liberação de mediadores inflamatórios no organismo.

No intestino, essa regulação é essencial para manter a integridade da mucosa intestinal e o equilíbrio do sistema imune local. Alterações nessa comunicação podem favorecer estados de maior reatividade intestinal, comuns em pessoas com SII.

Estresse, nervo vago e impacto no funcionamento intestinal

Situações de estresse prolongado tendem a reduzir a atividade parassimpática e, consequentemente, o tônus do nervo vago. Quando isso acontece, o corpo prioriza respostas de sobrevivência em detrimento das funções de digestão e recuperação.

No dia a dia, isso pode se manifestar como:

  • Alterações no ritmo intestinal
  • Aumento da tensão abdominal
  • Maior percepção de desconforto após as refeições
  • Dificuldade de relaxamento do trato digestivo

Esse estado de desequilíbrio reforça o ciclo de sintomas característico da Síndrome do Intestino Irritável.

O eixo HPA, histamina, microbiota e trauma corporal: ampliando a compreensão da SII

A relação entre intestino e nervo vago pode ser aprofundada quando conectamos outros sistemas fundamentais para a regulação do organismo, como o eixo HPA, a histamina, a microbiota intestinal e as memórias corporais associadas a experiências de estresse ou trauma. Esses elementos não atuam de forma isolada, mas como partes de uma rede integrada.

Eixo HPA (Hipotálamo–Hipófise–Adrenal) e intestino

O eixo HPA é um dos principais sistemas de resposta ao estresse do corpo. Ele regula a liberação de hormônios relacionados à adaptação frente a desafios físicos e emocionais. Quando ativado de forma pontual, contribui para a sobrevivência. Porém, quando permanece ativado por longos períodos, pode impactar diretamente o funcionamento intestinal.

O nervo vago atua como um modulador importante desse eixo, ajudando o organismo a sair do estado de alerta e retornar a um estado de maior equilíbrio. Quando essa regulação está prejudicada, os sintomas da SII tendem a se intensificar.

Histamina e hipersensibilidade intestinal

A histamina é uma substância envolvida em processos inflamatórios, imunológicos e de comunicação celular. No intestino, ela participa da resposta imune local e da regulação da permeabilidade da mucosa.

Em pessoas com SII, pode haver uma maior sensibilidade à histamina ou uma dificuldade do organismo em lidar com sua liberação. Isso pode se refletir em sintomas como desconforto abdominal, distensão, alterações do hábito intestinal e sensação de irritação intestinal.

O estresse crônico, via eixo HPA e sistema nervoso autônomo, pode aumentar a liberação de histamina, criando um ciclo em que o intestino se torna mais reativo. O nervo vago, por sua vez, exerce um papel modulador importante na resposta inflamatória, ajudando a conter esse excesso de reatividade.

Microbiota intestinal e comunicação intestino–cérebro

A microbiota intestinal é composta por trilhões de microrganismos que exercem funções essenciais para a digestão, imunidade e comunicação com o sistema nervoso. Ela influencia diretamente o sistema nervoso entérico e se comunica com o cérebro por meio de vias neurais, hormonais e imunológicas — com destaque para o nervo vago.

Alterações na composição da microbiota podem afetar:

  • A produção de neurotransmissores
  • A integridade da mucosa intestinal
  • A resposta inflamatória local
  • A sensibilidade do intestino aos estímulos

Alergias, sensibilidades alimentares e doenças associadas à Síndrome do Intestino Irritável

É comum que pessoas com Síndrome do Intestino Irritável relatem também alergias, intolerâncias ou sensibilidades alimentares, além de outros quadros funcionais associados. Embora a SII não seja classificada como uma doença inflamatória ou alérgica clássica, existe uma sobreposição frequente de sintomas e mecanismos que merecem atenção dentro de uma visão integrativa.

Sensibilidades alimentares e intolerâncias

Muitos indivíduos com SII percebem piora dos sintomas após o consumo de determinados alimentos. Isso não significa, necessariamente, uma alergia alimentar mediada por anticorpos, mas pode envolver sensibilidades funcionais, dificuldade digestiva ou maior reatividade intestinal.

Entre as associações mais comuns estão:

  • Sensibilidade a alimentos ricos em FODMAPs
  • Intolerância à lactose
  • Sensibilidade ao glúten não celíaca
  • Reações a alimentos ricos em histamina

Essas respostas refletem um intestino mais sensível e permeável a estímulos, influenciado pelo sistema nervoso, pelo estresse e pela microbiota intestinal.

Histamina, mastócitos e reatividade intestinal

A histamina tem papel central na comunicação entre o sistema imune, o sistema nervoso e o intestino. No contexto da SII, estudos apontam uma maior ativação de mastócitos na mucosa intestinal, células responsáveis pela liberação de histamina.

Essa liberação pode contribuir para:

  • Aumento da sensibilidade visceral
  • Dor abdominal
  • Distensão e gases
  • Alterações do hábito intestinal

Essa relação ajuda a explicar por que algumas pessoas com SII apresentam sintomas semelhantes aos de quadros alérgicos, mesmo sem exames positivos para alergia alimentar clássica.

Doenças e condições frequentemente associadas à SII

A Síndrome do Intestino Irritável também pode coexistir com outras condições funcionais e sistêmicas, como:

  • Rinite alérgica e dermatite atópica
  • Enxaqueca
  • Distúrbios do sono
  • Disfunções do assoalho pélvico
  • Síndrome da fadiga
  • Queixas musculoesqueléticas recorrentes

Essas associações reforçam a ideia de que a SII faz parte de um desequilíbrio sistêmico, envolvendo sistema nervoso autônomo, eixo intestino–cérebro e resposta imune.

O intestino como parte de um sistema integrado

O intestino não funciona de forma isolada. Ele faz parte de um sistema integrado, no qual corpo, rotina, emoções e experiências se influenciam mutuamente. O que acontece no dia a dia, a forma como lidamos com desafios e o ritmo de vida adotado têm impacto direto na forma como o corpo responde.

Essa visão integrativa ajuda a entender por que, em muitos casos, os sintomas intestinais aparecem ou se intensificam em períodos de maior exigência emocional ou mudanças importantes na rotina.

Como o estresse pode piorar os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável

O estresse é frequentemente apontado por quem convive com a SII como um fator que agrava os sintomas. Situações de pressão, excesso de responsabilidades, falta de pausas e dificuldade de descanso podem aumentar a percepção de desconforto intestinal.

A importância de um olhar integrativo

Reconhecer essas associações não significa rotular ou somar diagnósticos, mas compreender que o corpo expressa seus desequilíbrios de diferentes formas. A SII pode ser uma das manifestações de um organismo que se encontra em constante estado de adaptação.

Dentro de uma abordagem integrativa, a Microfisioterapia e a Terapia Manual Evolutiva consideram o sistema nervoso autônomo como peça central no equilíbrio do organismo. O trabalho manual busca favorecer a percepção corporal, reduzir estados de tensão persistente e apoiar a regulação neurovegetativa.

Ao estimular mecanismos de autorregulação, essas abordagens podem contribuir para um melhor funcionamento da comunicação intestino–cérebro, respeitando sempre os limites e a individualidade de cada pessoa.

Mulher com mão na barriga sorrindo com alívio de sintomas da Síndrome do intestino irritável

O olhar da Microfisioterapia e da Terapia Manual Evolutiva no cuidado com a SII

A Microfisioterapia e a Terapia Manual Evolutiva oferecem um olhar diferenciado no cuidado com a Síndrome do Intestino Irritável. Ambas partem do princípio de que o corpo guarda memórias de adaptações, tensões e experiências, e que essas informações podem ser acessadas de forma respeitosa.

Como essas abordagens podem integrar o cuidado

Essas terapias não substituem acompanhamentos médicos ou nutricionais, mas podem compor um plano de cuidado integrativo. O objetivo é escutar o corpo, identificar áreas de maior sensibilidade e favorecer processos naturais de autorregulação.

O trabalho é feito respeitando os limites individuais, a rotina da pessoa e os sinais que o corpo apresenta, sem promessas ou protocolos rígidos. Cada atendimento é único, assim como cada história corporal.

Benefícios percebidos no dia a dia

Muitas pessoas relatam, ao longo do acompanhamento, percepções como:

  • Maior sensação de conforto corporal
  • Melhor percepção dos próprios sinais e limites
  • Redução do impacto dos sintomas na rotina
  • Mais consciência corporal e sensação de equilíbrio
  • Mais disposição e energia

Esses benefícios são percebidos de forma gradual e variam de pessoa para pessoa, sempre respeitando o tempo do corpo.

Estratégias complementares no cuidado diário

Além das abordagens terapêuticas, algumas estratégias simples podem contribuir para o cuidado diário de quem convive com a SII:

  • Atenção ao ritmo de vida: observar excessos, pausas insuficientes e sobrecarga diária
  • Sono e descanso: priorizar um sono reparador e momentos de recuperação
  • Manejo do estresse: incluir práticas que ajudem a reduzir a tensão do dia a dia
  • Escuta corporal: aprender a reconhecer sinais de cansaço, desconforto e necessidade de pausa

A Microfisioterapia e a Terapia Manual Evolutiva podem ser grandes aliadas dentro desse contexto, atuando como estratégias complementares no cuidado integral.

Conclusão

Cuidar da Síndrome do Intestino Irritável vai além de tratar sintomas isolados. Exige um olhar integrativo, que considere o corpo como um todo, a rotina, as emoções e a história de cada pessoa.

Escutar os sinais do corpo é um passo fundamental para promover mais conforto e qualidade de vida. Abordagens como a Microfisioterapia e a Terapia Manual Evolutiva podem fazer parte desse caminho, oferecendo um cuidado respeitoso, individualizado e consciente.

Se você se identifica com esses relatos, considere buscar uma avaliação profissional ou explorar outros conteúdos relacionados ao cuidado integrativo e à saúde intestinal.

 

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