Enxaqueca e a ligação com o estresse

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  A enxaqueca é um dos problemas de saúde mais comuns e incapacitantes da atualidade. Estima-se que milhões de pessoas convivam com crises recorrentes, muitas vezes sem compreender totalmente sua natureza e sem encontrar um tratamento verdadeiramente eficaz. Essa condição vai muito além de uma simples dor de cabeça: ela afeta a rotina, a disposição, o humor, os relacionamentos e a produtividade. Para quem convive com a enxaqueca, cada crise representa um obstáculo que se impõe sobre a vida — e é justamente por isso que compreender suas causas e possibilidades de tratamento é tão importante.

A microfisioterapia, como terapia manual que busca identificar desequilíbrios no corpo e estimular sua capacidade de auto regeneração, oferece um olhar abrangente e profundo sobre a origem dessas dores. Para muitas pessoas, é a peça que faltava no tratamento.

O que é a enxaqueca do ponto de vista fisiológico e anatômico

A enxaqueca é uma condição neurológica caracterizada por alterações na forma como o cérebro processa estímulos sensoriais, especialmente os relacionados à dor. Durante uma crise, há uma hiperexcitabilidade neuronal e uma desregulação do sistema trigeminovascular — conjunto de estruturas responsáveis pela dor e pelo fluxo sanguíneo no crânio.

Anatomicamente, ocorre uma cascata neuroquímica, como:

    • Liberação de substâncias inflamatórias ao redor dos vasos sanguíneos cerebrais.

    • Sensibilização de terminações nervosas.

    • Alterações na neurotransmissão que amplificam a percepção da dor.

    • Redução da capacidade de filtrar estímulos externos como luz, som, cheiros ou movimentos.

Essa combinação gera o quadro típico da enxaqueca: dor pulsátil, intensa, muitas vezes unilateral, acompanhada de sensitividade extrema.

Como a desregulação do eixo HPA influencia a enxaqueca 

O eixo HPA é o principal sistema do corpo responsável por regular a resposta ao estresse. A sigla significa:

H – Hipotálamo

P – Hipófise (ou pituitária)

A – Adrenais (ou suprarrenais)

Essas três estruturas formam um circuito de comunicação neuroendócrino que controla como o corpo reage aos desafios físicos e emocionais.

Entenda como o eixo HPA funciona

    1. O estresse é percebido pelo cérebro, especialmente pelo hipotálamo.

    1. O hipotálamo envia um sinal químico para a hipófise, pedindo que ela ative as glândulas adrenais.

    1. A hipófise libera o hormônio ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) na corrente sanguínea.

    1. O ACTH chega às glândulas adrenais, que respondem produzindo cortisol, o principal hormônio do estresse.

    1. O cortisol prepara o corpo para reagir, aumentando a energia, o foco e o estado de alerta.

    1. Quando o estressor passa, o eixo HPA reduz a produção de cortisol e volta ao equilíbrio.

Esse mecanismo funciona como um termostato do estresse.

Por que o eixo HPA é importante?

Porque ele controla:

    • Cortisol

    • Adrenalina e noradrenalina

    • Imunidade

    • Sono

    • Humor

    • Energia

    • Inflamação

    • Resposta à dor

Quando esse eixo está funcionando bem, o corpo consegue lidar com desafios sem adoecer.

Quando o eixo HPA se desregula

O problema surge quando o estresse é constante, emocionalmente intenso ou mal processado pelo corpo. O eixo HPA perde sua capacidade de autorregulação e pode ficar:

Hiperativado (cortisol alto demais) ou Hipoativado (exaustão, cortisol baixo).

Essa desregulação contribui para:

    • Enxaqueca

    • Ansiedade

    • Insônia

    • Cansaço crônico

    • Depressão

    • Dor persistente

    • Alterações hormonais

    • Inflamação

Eixo HPA e enxaqueca

Quando o eixo HPA está desregulado:

    • O córtex cerebral fica hiperexcitado;

    • o sistema trigeminovascular fica mais sensível;

    • os músculos do pescoço ficam tensos;

    • o sono piora;

    • a dor se intensifica.

Ou seja: o corpo entra em um estado de alerta contínuo, e qualquer pequeno gatilho vira uma crise de enxaqueca.

O problema começa quando esse sistema passa a ser acionado com frequência exagerada — situação muito comum na vida moderna.

Quando o estresse se torna constante, o eixo HPA perde sua capacidade de autorregulação.

Principais mecanismos que estão envolvidos:

1. Aumento da excitabilidade neural

O excesso de cortisol e adrenalina deixa o cérebro hiperalerta, reduzindo seu limiar para dor. Pequenos gatilhos passam a ter grandes efeitos.

2. Sensibilização do sistema trigeminovascular

A região responsável pela dor de cabeça se torna mais reativa, facilitando a liberação de substâncias inflamatórias durante crises.

3. Tensão muscular crânio-cervical

O estresse contínuo aumenta o tônus dos músculos do pescoço e crânio, diminuindo o fluxo sanguíneo e favorecendo a dor.

4. Sono prejudicado

O eixo HPA desregulado interfere diretamente no ciclo sono-vigília, reduzindo a capacidade do cérebro de se recuperar.

5. Inflamação sistêmica silenciosa

A produção desbalanceada de cortisol enfraquece o sistema imunológico e aumenta processos inflamatórios — terreno fértil para crises de enxaqueca.

6. Baixa capacidade de regulação emocional

Quando o eixo HPA não funciona bem, o cérebro perde recursos para lidar com estímulos emocionais, contribuindo para o ciclo dor–estresse–dor.

Causas mais frequentes

A enxaqueca é multifatorial, e cada pessoa pode ter gatilhos diferentes. Entre os mais comuns:

    • Predisposição genética

    • Alterações hormonais (muito frequente em mulheres)

    • Estresse físico e emocional

    • Privação de sono

    • Alimentos específicos (cafeína em excesso, álcool, queijos envelhecidos, embutidos, chocolate…)

    • Mudanças bruscas de rotina

    • Exposição a luzes fortes ou odores intensos

    • Sedentarismo

    • Tensão muscular cervical e craniana

É importante ressaltar que, embora existam gatilhos comuns, o verdadeiro motivo por trás da repetição das crises costuma estar relacionado ao modo como o organismo está reagindo aos estímulos físicos, químicos, ondulatórios, emocionais e externos (como o ambiente, temperaturas, meio social).

O que caracteriza uma crise de enxaqueca

Uma crise geralmente apresenta:

    • Dor moderada a intensa

    • Sensação pulsátil

    • Dor mais forte em um dos lados da cabeça

    • Náuseas e/ou vômitos

    • Fotofobia (sensibilidade à luz)

    • Fonofobia (sensibilidade a sons)

    • Osmofobia (sensibilidade a cheiros)

    • Dificuldade de concentração

    • Fadiga intensa

    • Em alguns casos, aura visual ou sensorial

Esses sintomas podem durar de algumas horas a vários dias e dificultam atividades simples, levando muitas pessoas ao afastamento temporário.

O papel das emoções e do estresse na enxaqueca

O corpo humano não separa emoções da fisiologia. O estresse constante ativa o sistema nervoso simpático, responsável pelas respostas de alerta. Quando essa ativação se torna recorrente, surgem:

    • Aumento da tensão muscular

    • Alterações hormonais

    • Dificuldade de regular o sono

    • Mudanças na dor percebida pelo sistema nervoso

    • Queda da imunidade

    • Inflamação silenciosa

Isso cria o chamado ciclo dor–estresse–dor:

    1. O estresse aumenta a tensão corporal e a sensibilidade neural.

    1. Essa sensibilidade facilita o surgimento da crise de enxaqueca.

    1. A dor intensa gera mais estresse, ansiedade e preocupação.

    1. O estresse retroalimenta novas crises.

Romper esse ciclo é fundamental para que o tratamento seja eficaz — e isso envolve olhar para todo o organismo, não apenas para a dor em si.

Tratamento conservador: um caminho seguro e eficaz

O tratamento conservador inclui uma série de estratégias que ajudam o organismo a equilibrar o sistema nervoso, reduzir a sensibilidade à dor e diminuir a frequência das crises. A enxaqueca responde muito bem a mudanças de estilo de vida quando essas mudanças são consistentes. Entre as principais abordagens:

    • Fisioterapia manual: técnicas manuais específicas vão ajudar na liberação e mobilidade das fáscias, melhora postural e tensões musculares.

    • Microfisioterapia: identificar a origem da dor, promovendo o equilíbrio natural do corpo.

    • Exercícios físicos regulares: aumentam a liberação de endorfina e serotonina, melhoram a saúde vascular, aumentam o fluxo sanguíneo cerebral, equilibram a oxigenação dos tecidos, melhorando a capacidade de movimentação.

    • Técnicas de respiração e relaxamento: ativa o sistema parassimpático, reduz a tensão muscular e melhora a oxigenação.

    • Meditação e mindfulness: diminuem a reatividade do cérebro ao estresse, reduzem a inflamação e aumentam a sensação de bem-estar.

    • Sono adequado: o corpo regula hormônios, emoções e processos de dor durante o sono.

    • Alimentação equilibrada e anti-inflamatória evita gatilhos alimentares e reduz processos inflamatórios sistêmicos.

    • Acompanhamento psicológico: ajuda a entender emoções reprimidas, aliviar ansiedade e reduzir comportamentos de estresse crônico. Principalmente emoções ligadas a desvalorização e impotência.

Essas estratégias, somadas à microfisioterapia, formam uma abordagem completa e integrada e melhor ainda como prevenção!

Como a microfisioterapia atua na enxaqueca

A microfisioterapia é uma técnica que se baseia na identificação de micro tensões e marcas celulares deixadas por traumas físicos ou emocionais que o corpo não conseguiu eliminar sozinho. Com toques suaves e precisos, o terapeuta estimula o organismo a reconhecer e corrigir esses desequilíbrios.

No caso da enxaqueca, a microfisioterapia pode ajudar a:

    • Identificar a origem real da dor (física, emocional, hormonal, pós-traumática…)

    • Liberar tensões profundas no sistema crânio-cervical

    • Regular o sistema nervoso autônomo

    • Reduzir a intensidade e a frequência das crises

    • Aumentar a tolerância ao estresse

    • Promover equilíbrio global do corpo

Sua atuação não é apenas no sintoma, mas na causa — permitindo resultados mais rápidos e duradouros.

A microfisioterapia é uma grande aliada nesse processo: ela ajuda o organismo a sair do estado de alerta constante e voltar ao seu equilíbrio natural.

Conclusão: sua vida pode ser leve novamente

Viver com enxaqueca não precisa ser um destino. Com o tratamento correto, compreensão do corpo e estratégias integradas, é possível reduzir crises, retomar o bem-estar e reconquistar a qualidade de vida.

Se você sente que sua dor tem uma história, um padrão ou algo que não se explica apenas por exames, talvez seja o momento de olhar para essa questão com mais profundidade.

A microfisioterapia pode ser o passo que faltava para o seu corpo reencontrar o caminho da autorregulação.

Se você deseja compreender a verdadeira origem da sua enxaqueca e começar um processo de alívio duradouro, será um prazer acolher você, entre em contato para entender mais como funcionam as primeiras sessões.

Estou aqui para ajudar seu corpo a encontrar equilíbrio novamente.

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